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De Hawthorne à NR-1: por que o bem-estar emocional deixou de ser opcional nas empresas

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  • há 2 dias
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Unsplash
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A forma como pensamos e gerimos o trabalho mudou profundamente ao longo do último século. De modelos que enxergavam o trabalhador como peça mecânica de um sistema produtivo, avançamos para abordagens organizacionais que reconhecem o ser humano como um agente social e emocionalmente complexo. Essa evolução culmina agora na Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que coloca o bem-estar emocional e os riscos psicossociais como obrigações legais para as empresas brasileiras — e não mais como um item opcional de gestão de pessoas e saúde ocupacional.


O legado da experiência de Hawthorne e a humanização do trabalho


A importância de fatores humanos e emocionais no ambiente de trabalho já foi demonstrada no início do século XX. A famosa Experiência de Hawthorne, conduzida por Elton Mayo nos anos 1920, mostrou que aspectos sociais, atenção às pessoas e relações humanas influenciam diretamente a produtividade e o comportamento no trabalho — mais até do que fatores puramente físicos ou materiais.


Esse estudo foi um divisor de águas que estimulou a Teoria das Relações Humanas, que defende que a satisfação, a integração social e o reconhecimento influenciam tanto o desempenho quanto o compromisso do trabalhador com a organização.


NR-1: a consolidação regulatória do cuidado emocional


Décadas depois desse marco teórico, a legislação brasileira dá um passo decisivo ao incorporar, na NR-1, a obrigatoriedade de identificar, avaliar e prevenir riscos psicossociais, como:


  • estresse e sobrecarga emocional;

  • assédio e conflitos organizacionais;

  • burnout e outros fatores que afetam a saúde mental.


Até então, o tema da saúde emocional era muitas vezes tratado como complemento de políticas de RH ou benefícios isolados de bem-estar. Com a nova norma, esses riscos deixam de ser periféricos ou opcionais e passam a integrar o Programa de Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) e o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) de forma expressa e fiscalizável.


Segundo a matéria do Conexão Marília, a evolução normativa reflete que empresas já não podem mais adiar ações efetivas de cuidado emocional sob o pretexto de boas intenções — trata-se agora de um requisito formal de segurança e saúde no trabalho.


De requisito legal a estratégia corporativa


A NR-1 coloca a saúde emocional no mesmo patamar de outros riscos — tão relevante quanto quedas, acidentes ou exposição a agentes físicos. Isso significa que as organizações precisam:


  • mapear e monitorar formalmente fatores psicossociais;

  • implementar ações estruturadas de prevenção e suporte;

  • treinar lideranças para entender e gerir impactos emocionais no dia a dia organizacional;

  • integrar saúde mental à cultura, ao clima interno e aos processos de gestão de pessoas.


Essa abordagem transforma a saúde emocional em elemento estratégico de competitividade, pois ambientes emocionalmente saudáveis tendem a apresentar melhor clima organizacional, menor turnover, maior engajamento e produtividade superiores.


O novo papel da gestão: além do compliance


O impacto da NR-1 vai muito além de cumprir uma obrigação legal.

Ele exige que as empresas:

✔️ entendam que bem-estar emocional é parte integrante da saúde e segurança no trabalho;

✔️ vejam a prevenção de riscos psicossociais como um investimento, não um custo;

✔️ integrem políticas de saúde mental à estratégia de negócios, ao invés de tratá-las como iniciativas isoladas;

✔️ capacitem gestores para lidar com questões complexas de relações humanas e conflitos emocionais.


Conclusão: cultura e cuidado como pilares da nova gestão


O caminho de Hawthorne até a NR-1 simboliza mais do que um desenvolvimento teórico ou regulatório — ele expressa uma mudança cultural que coloca a humanidade do trabalho no centro da gestão organizacional.


O bem-estar emocional deixou de ser opcional e se tornou um elemento essencial da saúde organizacional e do compliance moderno.


Empresas que anteciparem essa transição, alinhando suas práticas de gestão à nova realidade normativa e humana, não apenas evitarão riscos legais e passivos trabalhistas, como também construirão ambientes mais resilientes, produtivos e sustentáveis no longo prazo — com colaboradores mais engajados e saudáveis.

 
 
 

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