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Brasil não está preparado para a NR-1: um alerta estratégico para empresas que querem evoluir de verdade

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    /BLANCK. Web Create
  • há 2 dias
  • 3 min de leitura




A nova Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que entra em vigor em maio de 2026, representa uma mudança estrutural na forma como as empresas brasileiras precisam gerenciar riscos ocupacionais, integrando formalmente a saúde mental e os riscos psicossociais no ambiente de trabalho. No entanto, um alerta importante feito por Scott Chambers, consultor global de segurança psicológica, mostra que o país ainda não está pronto para essa transição — e que as empresas que não se prepararem podem transformar uma oportunidade de evolução em um problema burocrático.


O que diz o especialista britânico


Scott Chambers — consultor com mais de 30 anos de experiência em segurança psicológica e performance de equipes, e ex-aluno da renomada pesquisadora Amy Edmondson (Universidade de Harvard) — destaca que:


  • segurança psicológica não é “liderança gentil” ou clima sempre positivo; é a liberdade dos colaboradores de expressar ideias, dúvidas e preocupações sem medo de represália;

  • a aplicação verdadeira da NR-1 exige mudança comportamental real da liderança, e não apenas “checklists” ou treinamentos rápidos;

  • o grande risco no Brasil é que a norma vire mera burocracia legal, com empresas buscando cumprir requisitos no papel sem transformar a cultura da organização;


Segundo Chambers, “a direção é boa, mas o Brasil não está preparado” — pois a cultura corporativa, historicamente marcada por controle, medo de errar e punição, ainda não favorece ambientes onde as pessoas se sintam suficientemente seguras para falar abertamente.


Por que isso importa?


A NR-1 não trata apenas de conformidade legal — ela eleva a segurança psicológica ao mesmo nível de outros riscos de SST, como os físicos, químicos e ergonômicos, exigindo que as empresas:


✔️ identifiquem e mapeiem riscos psicossociais (como estresse, pressão excessiva e conflitos);

✔️ implementem medidas preventivas e de monitoramento contínuo;

✔️ transformem a liderança em agentes ativos de mudança cultural;

✔️ incorporarem indicadores de saúde mental nos sistemas de gestão de riscos.


Sem uma preparação genuína, há o risco de que organizações apenas criem documentos e ações superficiais, cumprindo a norma no papel, mas sem gerar impacto real na cultura e no bem-estar dos colaboradores.


O que caracteriza segurança psicológica no ambiente de trabalho


Na entrevista, Chambers explica que segurança psicológica vai além de agradabilidade ou ausência de conflitos — trata-se de uma cultura onde:


  • as pessoas podem admitir erros sem medo de punição;

  • ideias divergentes são ouvidas e consideradas;

  • é possível dar feedback verdadeiro — mesmo quando difícil;

  • há abertura para comunicação honesta e empática.


Esses elementos não acontecem de forma automática. Eles exigem prática, consistência e exemplo diário da liderança, aspectos que ainda são insuficientes em muitas organizações brasileiras.


Riscos de uma implementação superficial


Chambers também alerta que, em contextos semelhantes no exterior (como Austrália e Estados Unidos), a tendência de tratar normas de SST como um “checklist de conformidade legal” levou a:


⚠️ judicialização excessiva;

⚠️ mecanismos de fiscalização que priorizam a forma em vez da substância;

⚠️ desgaste cultural e desengajamento dos colaboradores.


Por isso, a implementação da NR-1 deve ser vista como um processo estratégico de gestão humana e cultural, e não simplesmente como uma obrigação legal a ser encerrada com a entrega de um laudo ou de um treinamento.


Como as empresas podem se preparar – diretrizes práticas


Para que a NR-1 se torne uma ferramenta de transformação — e não apenas mais uma tarefa burocrática — o consultor recomenda:


✔️ Começar pequeno, mas começar agora

Não espere por Maio de 2026: pequenas ações estruturadas já criam bases de confiança e segurança psicológica no dia a dia.


✔️ Criar “microclimas” de confiança

Estabeleça espaços e momentos em que a equipe possa falar sobre desafios abertamente, como reuniões específicas para avaliar questões que não estão funcionando.


✔️ Valorizar a fala — mesmo quando a ideia não é perfeita

O ato de se expressar deve ser reconhecido, pois isso reforça, de forma prática, que o erro e a discordância fazem parte do processo de aprendizagem.


Essas ações, além de alinharem a empresa à NR-1, também impulsionam inovação, performance e engajamento — benefícios que vão além do cumprimento legal.


📌 Conclusão: a NR-1 como oportunidade de evolução


A implementação da NR-1 coloca no centro da gestão corporativa um tema que há muito tempo era tratado como secundário: a saúde mental e o bem-estar emocional das pessoas no trabalho.


O alerta de um especialista internacional mostra que o Brasil precisa ir além de frases inspiradoras ou políticas superficiais — é preciso transformar comportamentos e culturas organizacionais para que a norma seja aplicada de forma verdadeira e eficaz.


Empresas que conseguirem integrar a segurança psicológica à sua estratégia de gestão terão equipes mais resilientes, inovadoras e produtivas — e estarão, de fato, prontas para os desafios da economia humana do século XXI.

 
 
 

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