Brasil não está preparado para a NR-1: um alerta estratégico para empresas que querem evoluir de verdade
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A nova Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que entra em vigor em maio de 2026, representa uma mudança estrutural na forma como as empresas brasileiras precisam gerenciar riscos ocupacionais, integrando formalmente a saúde mental e os riscos psicossociais no ambiente de trabalho. No entanto, um alerta importante feito por Scott Chambers, consultor global de segurança psicológica, mostra que o país ainda não está pronto para essa transição — e que as empresas que não se prepararem podem transformar uma oportunidade de evolução em um problema burocrático.
O que diz o especialista britânico
Scott Chambers — consultor com mais de 30 anos de experiência em segurança psicológica e performance de equipes, e ex-aluno da renomada pesquisadora Amy Edmondson (Universidade de Harvard) — destaca que:
segurança psicológica não é “liderança gentil” ou clima sempre positivo; é a liberdade dos colaboradores de expressar ideias, dúvidas e preocupações sem medo de represália;
a aplicação verdadeira da NR-1 exige mudança comportamental real da liderança, e não apenas “checklists” ou treinamentos rápidos;
o grande risco no Brasil é que a norma vire mera burocracia legal, com empresas buscando cumprir requisitos no papel sem transformar a cultura da organização;
Segundo Chambers, “a direção é boa, mas o Brasil não está preparado” — pois a cultura corporativa, historicamente marcada por controle, medo de errar e punição, ainda não favorece ambientes onde as pessoas se sintam suficientemente seguras para falar abertamente.
Por que isso importa?
A NR-1 não trata apenas de conformidade legal — ela eleva a segurança psicológica ao mesmo nível de outros riscos de SST, como os físicos, químicos e ergonômicos, exigindo que as empresas:
✔️ identifiquem e mapeiem riscos psicossociais (como estresse, pressão excessiva e conflitos);
✔️ implementem medidas preventivas e de monitoramento contínuo;
✔️ transformem a liderança em agentes ativos de mudança cultural;
✔️ incorporarem indicadores de saúde mental nos sistemas de gestão de riscos.
Sem uma preparação genuína, há o risco de que organizações apenas criem documentos e ações superficiais, cumprindo a norma no papel, mas sem gerar impacto real na cultura e no bem-estar dos colaboradores.
O que caracteriza segurança psicológica no ambiente de trabalho
Na entrevista, Chambers explica que segurança psicológica vai além de agradabilidade ou ausência de conflitos — trata-se de uma cultura onde:
as pessoas podem admitir erros sem medo de punição;
ideias divergentes são ouvidas e consideradas;
é possível dar feedback verdadeiro — mesmo quando difícil;
há abertura para comunicação honesta e empática.
Esses elementos não acontecem de forma automática. Eles exigem prática, consistência e exemplo diário da liderança, aspectos que ainda são insuficientes em muitas organizações brasileiras.
Riscos de uma implementação superficial
Chambers também alerta que, em contextos semelhantes no exterior (como Austrália e Estados Unidos), a tendência de tratar normas de SST como um “checklist de conformidade legal” levou a:
⚠️ judicialização excessiva;
⚠️ mecanismos de fiscalização que priorizam a forma em vez da substância;
⚠️ desgaste cultural e desengajamento dos colaboradores.
Por isso, a implementação da NR-1 deve ser vista como um processo estratégico de gestão humana e cultural, e não simplesmente como uma obrigação legal a ser encerrada com a entrega de um laudo ou de um treinamento.
Como as empresas podem se preparar – diretrizes práticas
Para que a NR-1 se torne uma ferramenta de transformação — e não apenas mais uma tarefa burocrática — o consultor recomenda:
✔️ Começar pequeno, mas começar agora
Não espere por Maio de 2026: pequenas ações estruturadas já criam bases de confiança e segurança psicológica no dia a dia.
✔️ Criar “microclimas” de confiança
Estabeleça espaços e momentos em que a equipe possa falar sobre desafios abertamente, como reuniões específicas para avaliar questões que não estão funcionando.
✔️ Valorizar a fala — mesmo quando a ideia não é perfeita
O ato de se expressar deve ser reconhecido, pois isso reforça, de forma prática, que o erro e a discordância fazem parte do processo de aprendizagem.
Essas ações, além de alinharem a empresa à NR-1, também impulsionam inovação, performance e engajamento — benefícios que vão além do cumprimento legal.
📌 Conclusão: a NR-1 como oportunidade de evolução
A implementação da NR-1 coloca no centro da gestão corporativa um tema que há muito tempo era tratado como secundário: a saúde mental e o bem-estar emocional das pessoas no trabalho.
O alerta de um especialista internacional mostra que o Brasil precisa ir além de frases inspiradoras ou políticas superficiais — é preciso transformar comportamentos e culturas organizacionais para que a norma seja aplicada de forma verdadeira e eficaz.
Empresas que conseguirem integrar a segurança psicológica à sua estratégia de gestão terão equipes mais resilientes, inovadoras e produtivas — e estarão, de fato, prontas para os desafios da economia humana do século XXI.




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